VARIAÇÃO LEXICAL EM LIBRAS NO REGISTRO ACADÊMICO: ANÁLISE DE TERMOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS

Autores/as

  • Deonisio Schmitt Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
  • Ana Carolina Raimundo Silva Instituto Federal Goiano, Brasil
  • Carla Beatriz Medeiros Klein Universidade Federal do Rio Grande, Brasil
  • Marceli Lucia Paveglio Romeu Universidade Federal do Pampa, Brasil
  • Daniel Lopes Romeu Instituto Federal Sul-rio-grandense - Campus Pelotas, Brasil
  • Giovana Cristina de Campos Bezerra Universidade Federal do Pará, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i3.542

Resumen

Este artigo examina a variação lexical na Língua Brasileira de Sinais (Libras) no registro acadêmico, analisando os processos de criação, negociação, difusão e formação de termos técnico-científicos utilizados por comunidades surdas universitárias. A pesquisa problematiza a tensão entre diversidade lexical regional e exigências de precisão conceitual no ensino superior bilíngue, contexto consolidado pela Lei nº 10.436/2002 e Decreto nº 5.626/2005. Fundamenta-se em referenciais sociolinguísticos (Labov, 2008), terminológicos (Cabré, 1993) e teorias de registro linguístico (Halliday, 1989), aplicados à especificidade visuoespacial da Libras. Demonstra-se que a criação de sinais para conceitos como epistemologia, metodologia e paradigma ocorre via negociações colaborativas entre docentes surdos, intérpretes e estudantes, combinando iconicidade fonética e arbitrariedade convencional (Stokoe, 1978; Liddell, 2003). A difusão terminológica acelera-se por redes acadêmicas presenciais (congressos) e digitais (glossários videográficos), evidenciando gradientes regionais e etários na adoção lexical (Quadros; Klein, 2014). Políticas linguísticas de formação profissional revelam-se insuficientes para documentar variantes, perpetuando assimetrias entre centros acadêmicos dominantes e periferias linguísticas (Skliar, 2002). Conclui-se que a variação lexical constitui patrimônio constitutivo da Libras acadêmica, demandando políticas que promovam terminografia colaborativa e currículos reflexivos sobre metalinguagem sinalizada. Tais medidas empoderariam a comunidade surda como produtora autônoma de conhecimento científico, transcendendo papéis remediativos para afirmar epistemologias visuoespaciais no panorama acadêmico brasileiro.

Biografía del autor/a

Deonisio Schmitt, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil

Doutor em Linguística

Ana Carolina Raimundo Silva, Instituto Federal Goiano, Brasil

Mestra Profissional em Ensino para a Educação Básica

Carla Beatriz Medeiros Klein, Universidade Federal do Rio Grande, Brasil

Doutoranda em Letras

Marceli Lucia Paveglio Romeu, Universidade Federal do Pampa, Brasil

Mestra em Educação

Daniel Lopes Romeu, Instituto Federal Sul-rio-grandense - Campus Pelotas, Brasil

Doutorando Profissional em Educação e Tecnologia

Giovana Cristina de Campos Bezerra, Universidade Federal do Pará, Brasil

Doutoranda em Estudos Linguísticos e Estudos Literários

Publicado

07-03-2026

Cómo citar

Schmitt, D., Silva, A. C. R., Klein, C. B. M., Romeu, M. L. P., Romeu, D. L., & Bezerra, G. C. de C. (2026). VARIAÇÃO LEXICAL EM LIBRAS NO REGISTRO ACADÊMICO: ANÁLISE DE TERMOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS. Revista Ilustração, 7(3), 95–109. https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i3.542

Número

Sección

Artigos Científicos