CORPO, ESTÉTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENÁRIO DA MODERNIDADE

Autores

  • Sidinei Pithan da Silva Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i9.779

Resumo

O presente estudo tematiza os vínculos entre corpo, estética e educação no cenário da modernidade. De forma especial se interroga acerca do lugar do corpo e da estética no mundo moderno e contemporâneo, bem como do lugar e do poder simbólico da educação (física) no enfrentamento da crise democrática do tempo presente. Vale-se, para tanto, de um estudo bibliográfico, com perspectiva hermenêutica e crítico-dialética, acerca de obras referenciais que tratam da temática, tanto no campo das humanidades, bem como no campo da educação física. A hipótese guia do estudo se orienta pela ideia de que a estética ocupou no âmbito do projeto educacional moderno um lugar ambivalente, servindo como forma e perspectiva emancipatória, bem como forma de controle, domínio e subjugação. Na primeira modernidade - clássica (XVIII- XX)-, esta força política da estetização do mundo esteve relacionada com a educação corporal em um sentido funcional e produtivo, na qual o princípio da realidade subordina o princípio do prazer. Em uma segunda modernidade - flexível/líquida (XX-XXI)-, há um deslocamento do sentido da estética, e da forma de produção do corpo, sendo que o princípio do prazer subordina o princípio da realidade. Se na primeira modernidade, em que predomina um capitalismo nacional e industrial, há um sacrifício do corpo em nome do mundo social, produtivo e político (Estado-Nação), na segunda modernidade, há uma negação da vida social e pública em nome do corpo individual de consumo (Economia). A estética, enquanto forma de pensamento crítico, ou mesmo dimensão paradigmática, emerge na contemporaneidade, no âmbito da educação física, a partir da obra de Silvino Santin, como forma de denúncia de uma modernidade racionalista que negou o corpo sensível em favor do corpo racional e produtivo. Ela, potencialmente, pode nos ajudar a compreender que a educação física, assim como a modernidade em geral, é uma instituição imaginária, que possui uma estrutura em função de um poder simbólico instituído e instituinte que opera a partir do corpo. No entanto, cumpre sempre assinalar, que a estética modernista carregou e comportou, também, um sentido emancipatório, no qual a estética pós-modernista parece querer se livrar. Analisar as ambivalências dos projetos das duas modernidades, em termos sociais, políticos e epistêmicos, parece o desafio que se coloca no âmbito da educação (física) a fim de pensar os rumos da democracia.

Biografia do Autor

Sidinei Pithan da Silva, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil

Doutor em Educação (UFPR). Professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação nas Ciências da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). 

Publicado

22-08-2026

Como Citar

Silva, S. P. da. (2026). CORPO, ESTÉTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENÁRIO DA MODERNIDADE. Revista Ilustração, 7(9), 3–25. https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i9.779

Edição

Seção

Artigos Científicos