CORPO, ESTÉTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENÁRIO DA MODERNIDADE
DOI:
https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i9.779Resumo
O presente estudo tematiza os vínculos entre corpo, estética e educação no cenário da modernidade. De forma especial se interroga acerca do lugar do corpo e da estética no mundo moderno e contemporâneo, bem como do lugar e do poder simbólico da educação (física) no enfrentamento da crise democrática do tempo presente. Vale-se, para tanto, de um estudo bibliográfico, com perspectiva hermenêutica e crítico-dialética, acerca de obras referenciais que tratam da temática, tanto no campo das humanidades, bem como no campo da educação física. A hipótese guia do estudo se orienta pela ideia de que a estética ocupou no âmbito do projeto educacional moderno um lugar ambivalente, servindo como forma e perspectiva emancipatória, bem como forma de controle, domínio e subjugação. Na primeira modernidade - clássica (XVIII- XX)-, esta força política da estetização do mundo esteve relacionada com a educação corporal em um sentido funcional e produtivo, na qual o princípio da realidade subordina o princípio do prazer. Em uma segunda modernidade - flexível/líquida (XX-XXI)-, há um deslocamento do sentido da estética, e da forma de produção do corpo, sendo que o princípio do prazer subordina o princípio da realidade. Se na primeira modernidade, em que predomina um capitalismo nacional e industrial, há um sacrifício do corpo em nome do mundo social, produtivo e político (Estado-Nação), na segunda modernidade, há uma negação da vida social e pública em nome do corpo individual de consumo (Economia). A estética, enquanto forma de pensamento crítico, ou mesmo dimensão paradigmática, emerge na contemporaneidade, no âmbito da educação física, a partir da obra de Silvino Santin, como forma de denúncia de uma modernidade racionalista que negou o corpo sensível em favor do corpo racional e produtivo. Ela, potencialmente, pode nos ajudar a compreender que a educação física, assim como a modernidade em geral, é uma instituição imaginária, que possui uma estrutura em função de um poder simbólico instituído e instituinte que opera a partir do corpo. No entanto, cumpre sempre assinalar, que a estética modernista carregou e comportou, também, um sentido emancipatório, no qual a estética pós-modernista parece querer se livrar. Analisar as ambivalências dos projetos das duas modernidades, em termos sociais, políticos e epistêmicos, parece o desafio que se coloca no âmbito da educação (física) a fim de pensar os rumos da democracia.
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