LIBRAS COMO PRIMEIRA LÍNGUA E PORTUGUÊS ESCRITO COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS

Autores/as

  • Sylvia Lia Grespan Neves Universidade de São Paulo, Brasil
  • Valdicley Pereira Campos Universidade Norte do Paraná, Brasil
  • Tiago de Souza Moraes Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
  • Diego Leonardo Pereira Vaz Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Goiás, Brasil
  • Ananda Loiola Simões Elias Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i6.688

Resumen

O presente artigo discute a Libras como primeira língua da pessoa surda e o português escrito como segunda língua, considerando os fundamentos teóricos, políticos e pedagógicos da educação bilíngue. Parte-se da compreensão de que a surdez não deve ser reduzida a uma perspectiva clínica ou deficitária, mas reconhecida como diferença linguística e cultural, vinculada à constituição de sujeitos que se organizam socialmente por meio de uma língua de modalidade visuoespacial. O estudo enfatiza que a Libras ocupa papel estruturante no desenvolvimento cognitivo, social, identitário e acadêmico dos estudantes surdos, pois possibilita a construção de conhecimentos, a interação discursiva e a mediação das práticas escolares. Defende-se que o ensino da língua portuguesa escrita deve ocorrer como segunda língua, por meio de metodologias específicas, visuais, discursivas e bilíngues, afastando-se de práticas baseadas exclusivamente na oralidade ou na memorização gramatical. A discussão evidencia que as dificuldades de leitura e escrita frequentemente atribuídas aos estudantes surdos decorrem, em grande parte, da ausência de políticas educacionais adequadas, da formação insuficiente de professores bilíngues e da escassez de materiais didáticos acessíveis. Conclui-se que a educação bilíngue constitui um direito linguístico e uma condição essencial para a inclusão educacional, a autonomia intelectual, a participação social e o exercício da cidadania da pessoa surda. Assim, reconhecer a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua significa promover práticas pedagógicas mais justas, acessíveis, críticas e comprometidas com a diversidade, a equidade e a valorização da cultura surda nos diferentes espaços escolares e sociais contemporâneos brasileiros inclusivos.

Biografía del autor/a

Sylvia Lia Grespan Neves, Universidade de São Paulo, Brasil

Doutora em Linguística e Pesquisadora.

Valdicley Pereira Campos, Universidade Norte do Paraná, Brasil

Graduado em Pedagogia.

Tiago de Souza Moraes, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil

Mestrando em Educação.

Diego Leonardo Pereira Vaz, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Goiás, Brasil

Mestre em Educação Profissional e Tecnológica e Pesquisador.

Ananda Loiola Simões Elias, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil

Doutoranda em Linguística.

Publicado

14-06-2026

Cómo citar

Neves, S. L. G., Campos, V. P., Moraes, T. de S., Vaz, D. L. P., & Elias, A. L. S. (2026). LIBRAS COMO PRIMEIRA LÍNGUA E PORTUGUÊS ESCRITO COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS. Revista Ilustração, 7(6), 287–307. https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i6.688

Número

Sección

Artigos Científicos