O LÉXICO DA LIBRAS E SUAS VARIAÇÕES: UM ESTUDO SOCIOLINGUÍSTICO DA COMUNIDADE SURDA
DOI:
https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i6.676Abstract
Este artigo discute o léxico da Língua Brasileira de Sinais — Libras — e suas variações a partir de uma perspectiva sociolinguística, considerando a comunidade surda como espaço de produção, circulação e transformação da língua. Parte-se do entendimento de que a Libras é uma língua natural de modalidade visuoespacial, dotada de estrutura linguística própria e sujeita a processos de variação e mudança, assim como ocorre nas línguas orais. O estudo enfatiza que a variação lexical não deve ser compreendida como erro, desvio ou ausência de padronização, mas como manifestação legítima da vitalidade linguística e da pluralidade cultural da comunidade surda brasileira. A análise fundamenta-se em pressupostos da Sociolinguística Variacionista e dos Estudos Surdos, destacando fatores como região geográfica, idade, escolarização, identidade surda, contato linguístico e comunidade de prática como elementos que influenciam a constituição dos repertórios lexicais. Também são abordados processos de ampliação do léxico, como a criação de sinais-termo, os empréstimos linguísticos, os sinais toponímicos e as formações híbridas decorrentes do contato entre Libras e português. Conclui-se que a documentação e valorização das variantes lexicais são fundamentais para fortalecer a educação bilíngue, a formação de professores e intérpretes, a produção de materiais didáticos e o reconhecimento da Libras como patrimônio linguístico e cultural da comunidade surda.
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