ALGORITMOS E A FRAGMENTAÇÃO DO MUNDO COMUM NA EDUCAÇÃO: PLATAFORMIZAÇÃO, REALIDADES PARALELAS E RESISTÊNCIA PEDAGÓGICA
DOI:
https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i8.766Resumo
Este artigo analisa de que modo a personalização algorítmica e a plataformização da educação interferem nas condições de construção de um mundo comum, compreendido, a partir de Hannah Arendt, como espaço compartilhado entre sujeitos plurais. Adota-se abordagem qualitativa, bibliográfica e documental, desenvolvida em perspectiva teórico-ensaística. O corpus reúne obras de Arendt e de comentadores brasileiros, estudos do Sul Global sobre colonialidade dos dados, racismo algorítmico e soberania tecnológica, pesquisas nacionais sobre currículo, inteligência artificial e trabalho docente, além de indicadores das pesquisas TIC Kids Online Brasil 2024 e TIC Educação 2024. A análise evidencia que os sistemas algorítmicos não determinam mecanicamente opiniões, mas reorganizam visibilidades, frequências, ausências e oportunidades de encontro com perspectivas divergentes. No campo educacional, a plataformização converte experiências em dados, amplia a participação de agentes privados e pode transferir parte da autoridade curricular e pedagógica para infraestruturas corporativas. Conclui-se que a escola pode resistir a esse processo ao preservar a mediação docente, o tempo do estudo, o julgamento crítico e a construção coletiva de critérios para o uso das tecnologias. A literacia algorítmica, articulada à responsabilidade pública, constitui uma possibilidade de reconstrução do mundo comum sem rejeição das culturas digitais.
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