MEMÓRIA, ANCESTRALIDADE E PERTENCIMENTO: A DIMENSÃO SOCIOCULTURAL DA COMUNIDADE QUILOMBOLA MONTE ALEGRE
DOI:
https://doi.org/10.46550/ilustracao.v7i8.743Resumo
O presente artigo analisa como memória, ancestralidade e pertencimento constituem dimensões estruturantes da identidade sociocultural da comunidade quilombola Monte Alegre, localizada no estado do Espírito Santo, Brasil. Parte-se da compreensão de que as comunidades quilombolas configuram territórios de produção de conhecimentos, preservação de patrimônios culturais e elaboração de estratégias históricas de resistência diante dos processos de invisibilização racial e territorial. O estudo fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e interpretativa, articulando contribuições dos estudos da memória social, identidade cultural, territorialidade, epistemologias quilombolas e dialogismo. A análise evidencia que a memória coletiva, materializada nas narrativas orais, nas práticas religiosas, nos saberes agrícolas, nas manifestações culturais e nas formas comunitárias de organização social, constitui um patrimônio vivo continuamente reconstruído pelas gerações. Os resultados indicam que a ancestralidade opera como princípio organizador das relações entre sujeitos, território e conhecimento, fortalecendo processos de pertencimento, reconhecimento identitário e resistência sociopolítica. Conclui-se que a valorização dos saberes comunitários da comunidade Monte Alegre amplia a compreensão das comunidades quilombolas como produtoras de epistemologias próprias, contribuindo para o reconhecimento da diversidade cultural brasileira, para a preservação do patrimônio cultural imaterial e para a afirmação dos direitos territoriais e coletivos desses grupos.
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